FELICIDADE

 O que é uma pessoa feliz? O que faz alguém feliz? Vamos recorrer aos filósofos, sábios guias da razão. Sócrates certa vez disse a um amigo: “Não te envergonhas de preocupares com as riquezas para ganhar o mais possível, e com a fama e as honrarias, em vez de te preocupares com a sabedoria, a verdade e a tua alma, de modo a te sentires cada vez mais feliz?” Já Descartes diz que o “perfeito contentamento de espírito e profunda satisfação interior (…), ter o espírito perfeitamente contente e satisfeito”. Leibniz dirá que “é o prazer que a alma sente quando considera a posse de um bem presente ou futuro como garantida.” Sartre dirá que a felicidade é como “uma conduta mágica que tende a realizar, por encantamento, a posse do objeto desejado como totalidade instantânea.” Como podemos notar há quem considere a felicidade um estado de espírito, uma decorrência da subjetividade, e quem a atribua à posse de algo – poder, riqueza, saúde, bem-estar. Concordamos que, na sociedade em que vivemos, o ideal de felicidade está centrado no consumismo e no prazer. O que não significa que, de fato, ela resulte da posse de bens materiais ou da soma de prazeres. Lembramos uma lista de celebridades que, tendo fortuna e sucesso, sofreram uma atribulada vida de infortúnios. Muitos tiveram morte precoce por excesso de medicamentos, drogas, bebidas, que tapassem os buracos da alma. Concluímos assim que o que faz uma pessoa feliz não é a posse de um bem ou uma vida confortável. É sobretudo o projeto de vida que ela assume. Todo projeto, seja conjugal, profissional, artístico, científico, político, religioso, requer uma trajetória cheia de dificuldades e desafios. Mas é apaixonante. E é a paixão ou melhor, o amor com que vivemos e fazemos tudo isso. Ou seja, viver por um projeto, uma causa, uma missão, um ideal ou mesmo uma utopia, é o que dá sentido à vida. E uma vida plena de sentido é, ainda que afetada por dores e sofrimentos, o que nos traz a verdadeira felicidade.

Diácono Carlinhos.

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