– IGREJA DE SÃO JOAQUIM: UM MARCO DE GAROPABA

A memória e a história, com suas diferenças e similaridades, são construídas a partir de referências
materiais e entre nós ainda é muito forte relacionar memória com edificações e outros objetos
materiais. No caso de Garopaba, para muitos que aqui vivem, a Igreja São Joaquim representa e
evoca, de forma variada, muitas lembranças que vivenciamos ou herdamos do convívio ou de
outras formas experiências marcantes sejam agradáveis ou desagradáveis.
Construída nos idos de 1846 sob a liderança de Manoel Marques Guimarães, o filho do
administrador da Armação Baleeira com o mesmo nome, a Igreja desempenhou importantes
funções religiosas e culturais para a população aqui residente ou que por aqui transitavam. É
importante realçar a liderança exercida pela Igreja, através dos padres e bispos, na vida das pessoas
nas diversas esferas da vida comunitária.
Os registros da vida civil como nascimento, casamento e óbito eram controlados e administrados
pela Igreja até a Proclamação da República. O Batismo, a Crisma, as celebrações religiosas, as
festas, o luto, enfim amplo espectro da vida espiritual e social era centralizado na Igreja. Portanto, a
Igreja se fazia presente de forma intensa e predominante na vida das pessoas.
Desde a benção para a pesca das baleias à celebração da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes,
dedicada à padroeira dos pescadores, ou mesmo as celebrações de batismo e crisma que
configuravam momentos relevantes para toda a comunidade e que, ao mesmo tempo que
reafirmava os compromissos com a Igreja, faziam do batismo ou crisma festejos e encontros sociais
que articulavam os diversos interesses dos participantes da cena politica.
Outra grande contribuição, ainda presente atualmente, se efetiva na formação e desenvolvimento de
lideranças que ocupam cargos de significado na sociedade.
As festas religiosas, os casamentos, as missas de corpo presente, são todas marcas indeléveis na
vida comunitária, em especial dos católicos, que nos primórdios constituíam a grande maioria.
Portanto, a edificação da Igreja evoca uma época, evoca momentos significativos na vida
comunitária, bem mais que um espaço de memória, constitui elemento relevante da história de
Garopaba, cujo significado foi bem ilustrado no livro do padre José Besen “1980 São Joaquim da
Garopaba (Recordações da Freguesia)” e em muitas outras publicações, das quais destaco as do
professor Manoel Valentim, o nosso grande “historiador”, e que ainda não teve reconhecido
devidamente a grande contribuição que vem prestando à Garopaba.
Na atualidade convivemos com a morosidade da restauração da Igreja, e constatamos apatia geral
na sua valorização e reutilização como espaço cultural e como parte de uma política de promoção
da história de Garopaba.

Fonte: João Pacheco

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